Qual teria sido o maior adversário do Clube Atlético Deportivo de Guarapuava na primeira fase do Campeonato Paranaense de Futsal? O Marechal Cândido Rondon? O Cascavel? O Umuarama? Pois, por incrível que possa parecer, os maiores adversários da equipe guarapuavana, nesta temporada, sempre estiveram fora das quadras. Entretanto, mesmo com várias situações difíceis, a equipe sempre mostrou habilidade para resolver problemas e para construir aquela que é sua melhor campanha na história da Chave Ouro.
Jogos fora do Joaquinzão
A primeira dificuldade vivida pelo clube veio antes mesmo do Campeonato Paranaense começar. No começo do mês de março, a morte do fixo Róbson Rocha, foi a tragédia que chamou a atenção de todo o País: o atleta não suportou uma cirurgia para a retirada de uma lasca de madeira que se soltou do piso do Ginásio Municipal Joaquim Prestes durante um jogo contra o Palmeiras-SP, na disputa da Copa 200 Anos de Guarapuava. A Polícia Civil interditou o ginásio no mesmo dia da morte do jogador.
Quase dois meses depois, o laudo da Polícia concluiu que, apesar de haver falhas na montagem do piso e na manutenção, a morte do jogador não tinha como ser prevista, sendo considerada uma fatalidade. O perito Alcebíades Rodrigues Neto, em entrevista ao Jornal Diário de Guarapuava, explicou: “Elas [fissuras na quadra] contribuíram para o fato, mas não foram as causadoras. Pode ser até que o veio da madeira estivesse parcialmente rompido, mas não há como afirmar. Foi um caso à parte, uma fatalidade, humanamente impossível de prever," concluiu Rodrigues Neto.
Antes desta constatação, que só foi anunciada no final do mês de abril, a mídia nacional massacrou o clube, muitas vezes sem saber se o ginásio era ou não de sua responsabilidade. Também foram feitos vários ataques à estrutura do Joaquinzão por parte de veículos que nem sequer estiveram na cidade para constatar a situação da praça esportiva.
Logo após a Polícia liberar o ginásio veio mais uma interdição: agora por parte do Ministério Público, impulsionado por parte da imprensa de Guarapuava que, ao tentar atingir a administração municipal, acabava colocando mais “lenha na fogueira” e, assim, o clube seguiu até hoje sem poder utilizar o ginásio, tendo sua renda comprometida, já que mais de 30% de sua verba, na temporada anterior, vinha da venda de ingressos.
Depois de outro laudo (agora emitido pelo CREA-PR) o ginásio foi liberado para licitação para troca do piso, que, atualmente, segue em processo. A expectativa da Prefeitura Municipal é de que até o mês de agosto o Joaquinzão esteja liberado para jogos do Paranaense de Futsal. Enquanto isso a equipe segue mandando seus jogos no SESI, que tem se mostrado uma boa alternativa tanto para o clube quanto para o público.
Assédio de jogadores e comissão técnica
Quando a bola começou a rolar no Paranaense para o Deportivo (primeiro no ginásio do Trianon e depois no SESI), os jogadores fizeram das dificuldades motivação e os resultados logo apareceram: o CAD fez a melhor campanha de sua história em uma primeira fase de Chave Ouro, com 35 pontos conquistados em 15 jogos (11 vitórias, 2 empates e 2 derrotas). A equipe também teve o melhor ataque (54 gols marcados) e a segunda melhor defesa (18 gols sofridos).
Tantos números favoráveis logo chamaram a atenção das grandes equipes do futsal brasileiro e propostas não faltaram para comissão técnica e jogadores. As propostas mais comentadas foram as do Foz Futsal e do Atlântico de Erechim para ter o técnico Baiano na disputa da Liga Futsal, além da proposta do Minas para ter Daniel Japonês (artilheiro da equipes), também para a disputa da Liga.
A diretoria conseguiu “segurar” o elenco apesar do grande assédio e segue com a mesma base para a fase decisiva da competição, o que já garante ao torcedor guarapuavano a mesma equipe competitiva da primeira fase da Chave Ouro.
Falta de jogadores no elenco
Coma escassez de recursos, ocasionada pela interdição do Ginásio Joaquim Prestes, o clube não conseguiu realizar novas contratações da forma que gostaria para a seqüência da competição. A posição que mais sofreu, neste sentido, foi a dos fixos: No começo do ano eram três: Róbson, Ademir e Tarcíso. Com a tragédia de Róbson e com a saída de Ademir, que não conseguiu conciliar seu trabalho na Polícia Rodoviária com os treinos do clube, somente Tarcíso (que passou por problemas de contusão em parte da primeira fase) acabou sendo o fixo da equipe até a contratação de Chupeta que, sem ritmo de jogo, levou algum tempo até jogar em bom nível com o restante do time.
Neste começo de semana foi anunciado mais um jogador para a posição: Paulo Henrique, que estava no futsal português, vem para suprir a deficiência na posição e agora a equipe já conta com o mesmo número de jogadores do começo da temporada sem, entretanto, realizar acréscimo do número de atletas ao elenco, como era o planejado no começo de 2010.
Novos desafios
Com o começo da segunda fase o objetivo da equipe é consolidar-se como uma das grandes equipes do estado, repetindo o bom desempenho (e até melhorando) nesta reta final de campeonato. Agora o time terá que conviver com um seu novo status: como um dos favoritos ao título: os jogos tendem a ficar mais difíceis, já que as equipes vão querem “mostrar serviço” diante do Guarapuava. Mas, como podemos perceber no decorrer de 2010, o CAD está mais do que acostumado a superar desafios e, até agora, o retrospecto tem sido muito positivo para o clube guarapuavano.


30.6.10
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